Curso técnico prepara jovens e é opção para driblar desemprego

Curso prepara jovensOs jovens estão entre os segmentos da população mais afetados pela atual crise econômica. No primeiro trimestre deste ano, o desemprego entre pessoas de até 24 anos atingiu 24%, mais do que o dobro da taxa geral. Com menos experiência e, em geral, pouca qualificação, eles são os que primeiro sofrem quando o mercado de trabalho piora.

No entanto, os dados não devem alimentar o pessimismo. É o momento certo de preparar essa geração para o futuro, para quando o ciclo de crescimento for retomado. Está na hora de apostar em educação profissional.

Segundo o IBGE, em pesquisa de 2013, aproximadamente 80% dos estudantes entre 18 e 24 anos não chegam à universidade. E existem muitas oportunidades para o jovem que opta por uma profissão técnica –diferente da crença, de parcela da sociedade brasileira, de que a perspectiva de mobilidade social está na obtenção de um diploma universitário.

Várias carreiras técnicas competem muito bem com formações de nível superior. Técnicos das áreas de produção de petróleo e de indústrias químicas, por exemplo, tinham salário médio de R$ 7.700 em 2014. São trabalhadores altamente requisitados pelo mercado, mesmo em meio à crise.

Além disso, a educação profissional se modernizou e há uma diversidade de carreiras surgindo por conta dos novos processos utilizados no setor produtivo. O mundo vive a quarta revolução industrial –também chamada de indústria 4.0­–, na qual as empresas se utilizam de tecnologias digitais. Do trabalhador, é exigido ter capacidade de interpretação abstrata e formação técnica para operar equipamentos com alta complexidade.

Nações desenvolvidas já perceberam essa tendência e investem pesadamente na área. Países da União Europeia têm, em média, metade de seus estudantes do ensino médio matriculados também em cursos técnicos, segundo o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Educação Profissional.

É preciso remover preconceitos em relação aos cursos de educação profissional. Pesquisa da FGV demonstrou que, entre dois indivíduos com a mesma escolaridade, os que frequentaram o ensino técnico de nível médio tiveram 15% de acréscimo na renda.

Felizmente, a percepção dos brasileiros sobre a importância dessa formação está mudando para melhor. Levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em parceria com o Ibope, mostra que, para 90% dos entrevistados, quem faz curso técnico tem mais oportunidades no mercado de trabalho. A inclusão, no Plano Nacional de Educação, de uma ousada meta que prevê triplicar as matrículas na área até 2024 reflete o desejo de uma sociedade que passou a dar mais valor a esse tipo de qualificação.

Na prática, no entanto, a educação profissional ainda é a escolha de poucos no Brasil. Em 2015, 11% dos jovens brasileiros cursavam o ensino médio concomitantemente com algum curso técnico. É imperativo elevarmos esse contingente para garantir um projeto de vida à juventude.

O jovem que busca o primeiro emprego tem com a educação profissional a possibilidade de entrar de forma mais rápida no mercado de trabalho. Por exemplo, no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), mais de 65% daqueles que concluíram o ensino técnico em 2014 estavam trabalhando no ano seguinte. Mesmo cursos de formação inicial –que duram cerca de três meses– já permitem ao trabalhador buscar uma colocação mais qualificada.

O curso técnico pode ainda ser encarado como primeiro passo de um plano profissional que, não necessariamente, exclui um diploma universitário. Um técnico em mecânica tem a opção, por exemplo, de avançar com sua formação na área e se tornar tecnólogo em mecânica ou engenheiro. No caso de alguns jovens, a inserção rápida no mercado de trabalho é o passaporte para a continuação dos estudos. Com um emprego, é possível ter os recursos necessários à construção de uma carreira.

O Brasil sabe fazer educação profissional de excelência, afinal o país foi o grande campeão da 42ª edição da WorldSkills, a olimpíada internacional de profissões técnicas e que reúne competidores de nações cujos sistemas educacionais são referências em todo o mundo.

O que falta ao país é eleger a educação profissional como uma agenda estratégica. Por ser essencial à competitividade das empresas, trata-se de um tema basilar para a indústria. Levantamento da CNI, feito entre empresários, mostrou que na avaliação de 53% deles a qualidade da mão de obra é o principal entrave ao aumento de produtividade. A falta de qualificação tem impacto direto nos negócios: para produzir o mesmo que 1 americano, o Brasil precisa de 5 trabalhadores.

É urgente preparar jovens e adultos para um mercado em profunda mutação tecnológica e organizacional. A educação profissional deve ser vista como uma agenda de sustentação da renda, de geração de oportunidades para a juventude, de competitividade para o ambiente de negócios e também como um compromisso social, pois pode ajudar o Brasil a ser um país mais equânime.

Link da matéria:http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2016/07/10/mesmo-com-premio-salarial-curso-tecnico-ainda-e-escolha-de-poucos.htm

 

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